18.2.13

o antagonismo desistir-persistir.

(autor desconhecido)

sou confrontada com esta decisão todos os dias; várias vezes ao dia. sigo a linha vermelha durante três passos, três longos passos, para me aperceber que estou a seguir o caminho errado. 
desistir já foi fácil. houve tempos em que estava habituada a estes caminhos e os sabia de cor. sabia onde poderia tropeçar, desviava-me dos arbustos venenosos, saltava além das areias movediças, tinha algum tipo de equilíbrio sobre toda uma estrada instável; e, mais importante do que tudo isso, os meus olhos já desconheciam a luz, e estavam acostumados a olhar para cima e vislumbrar um pedaço de vazio tempestuoso. 
agora não.
o caminho da desistência é-me, agora, desconhecido. tropeço no primeiro passo e cambaleio nos dois seguintes; caio de testa no chão e rastejo para um caminho sem armadilhas. 
persistir é mais fácil, embora não pareça. 
sim, persistir envolve força e muitas vezes não a conseguimos encontrar. mas não procuramos o suficiente, porque desistir consome-nos o dobro dessa força. a desistência é alimentada por força que não usamos, e se desistimos, estamos somente a dar um mau uso às nossas capacidades.
e que maravilhoso é, um vestígio de fim; um vislumbre de céu claro; uma sensação de calor quente. o sol vê-se, na persistência. o caminho tem os seus buracos, mas qual não o tem? 
o caminho do desistente reserva um consumo de forças que provoca senão a morte do ser, enquanto persistir é todo um desconhecido de oportunidades.