(autor desconhecido)
sou confrontada com esta decisão todos os dias; várias vezes ao dia. sigo a
linha vermelha durante três passos, três longos passos, para me aperceber que
estou a seguir o caminho errado.
desistir
já foi fácil. houve tempos em que estava habituada a estes caminhos e os sabia
de cor. sabia onde poderia tropeçar, desviava-me dos arbustos venenosos,
saltava além das areias movediças, tinha algum tipo de equilíbrio sobre toda
uma estrada instável; e, mais importante do que tudo isso, os meus olhos já
desconheciam a luz, e estavam acostumados a olhar para cima e vislumbrar um
pedaço de vazio tempestuoso.
agora
não.
o
caminho da desistência é-me, agora, desconhecido. tropeço no primeiro passo e cambaleio
nos dois seguintes; caio de testa no chão e rastejo para um caminho sem
armadilhas.
persistir
é mais fácil, embora não pareça.
sim,
persistir envolve força e muitas vezes não a conseguimos encontrar. mas não
procuramos o suficiente, porque desistir consome-nos o dobro dessa força. a
desistência é alimentada por força que não usamos, e se desistimos, estamos
somente a dar um mau uso às nossas capacidades.
e que maravilhoso é, um vestígio de fim; um vislumbre de céu claro; uma sensação
de calor quente. o sol vê-se, na persistência. o caminho tem os seus buracos,
mas qual não o tem?
o
caminho do desistente reserva um consumo de forças que provoca senão a morte do
ser, enquanto persistir é todo um desconhecido de oportunidades.
