Cara pessoa,
Quero falar contigo sobre
umas coisas, que talvez te tenhas vindo a perguntar (ou não). Mesmo que não te
tenhas perguntado, eu vou dizer. Porque eu preciso de dizer, desde que escavei
aquelas memórias, durante a tarde. As palavras não me saem da cabeça, por isso
eu quero que saibas. Claro que eu sei que não vais ler; já não tens contacto
nenhum meu, nem como saber deste meu novo endereço, mesmo que as coisas entre
nós tenham ficado senão pendentes.
Mas, por descargo de
consciência.
Perguntaste-te, alguma
vez, se rasguei as tuas fotografias, e queimei as tuas cartas? Quero dizer-te
que não. Não fiz nada disso. As cartas continuam nos envelopes em que me
entregaste, no mesmo sítio onde as deixei no dia em que as guardei e prometi
ser ali por ser pertinho do coração. Ainda lá ocupam o seu lugar. As
fotografias, as fotografias com molduras, e as molduras, estão lá também. As
molduras até têm dedicatórias. Também não risquei essas.
Perguntaste-te, também,
se apaguei do computador os nossos momentos? Desde as fotografias, aos vídeos,
aos trabalhos? Não. Sabes porquê? Porque olhar para elas é doloroso, mas pelo
menos desta maneira eu posso lembrar-me que foste verdade. Que estiveste ao meu
lado nos meus bons momentos, e nos meus maus momentos. E eu também estive ao
teu lado, nos teus bons momentos, e nos teus maus momentos.
Perguntaste-te, ainda,
porque não apaguei nenhum dos teus comentários, das tuas publicações, ou sequer
de ter algum contacto comigo? Porque quero acreditar que ainda aqui estás. E
que aquelas memórias ainda vão acontecendo, num ou noutro dia.
Porque é que não te
apaguei da minha caixa, do meu computador? Porque não te consigo apagar da
minha vida, apesar de ter conseguido, forçosamente, imprisionar-te longe da
vista, no meu coração.
Quero que saibas, melhor
amiga, que o vais sempre ser. Porque independentemente dos motivos que nos
levaram a separar-nos, eu lembro-me bem de todos os que nos levaram a acreditar
na nossa improvável amizade. E quero também que saibas que continuo à espera
que chegue o dia de ficar tudo bem, e que nos lembremos que o passado já foi. Mas não me deixas esquecer. Porque
o meu passado é o teu presente e, bom, já falámos sobre isso.
Eu amo-te. Muito, a
sério. Fizeste-me crescer, e acreditar. Sem ti, talvez nada daquela que é hoje
a minha vida poderia ter sido possível. Fizeste-me rir sempre e, ó, há tanto
tempo que já não me ria. Fizeste-me feliz! Eu era feliz!
Mas é tão triste saber
que a pessoa que mais te ajudou foi a pessoa que mais caiu.
E eu tentei. Eu juro que
tentei tudo.
Não mudou o que eu sinto;
eu continuo a amar-te e vai sempre
magoar-me ver-te do outro lado e não poder olhar para ti, mesmo que seja ao
longe, e comentar uma expressão, um olhar, seja-o-que-for. Porque nós
comentávamos tudo e depois era tão difícil não rir. Lembras-te? Não mudou nada
do que sinto, prometo. Simplesmente derivaram outros sentimentos, e esses
sentimentos não são bons. Mas eu prometo, Prometo.
Quero que saibas, meu
amor, que não te culpo; mas não te desculpo.