21.2.14

Ami / zade.


Cara pessoa,

Quero falar contigo sobre umas coisas, que talvez te tenhas vindo a perguntar (ou não). Mesmo que não te tenhas perguntado, eu vou dizer. Porque eu preciso de dizer, desde que escavei aquelas memórias, durante a tarde. As palavras não me saem da cabeça, por isso eu quero que saibas. Claro que eu sei que não vais ler; já não tens contacto nenhum meu, nem como saber deste meu novo endereço, mesmo que as coisas entre nós tenham ficado senão pendentes.

Mas, por descargo de consciência.

Perguntaste-te, alguma vez, se rasguei as tuas fotografias, e queimei as tuas cartas? Quero dizer-te que não. Não fiz nada disso. As cartas continuam nos envelopes em que me entregaste, no mesmo sítio onde as deixei no dia em que as guardei e prometi ser ali por ser pertinho do coração. Ainda lá ocupam o seu lugar. As fotografias, as fotografias com molduras, e as molduras, estão lá também. As molduras até têm dedicatórias. Também não risquei essas.
Perguntaste-te, também, se apaguei do computador os nossos momentos? Desde as fotografias, aos vídeos, aos trabalhos? Não. Sabes porquê? Porque olhar para elas é doloroso, mas pelo menos desta maneira eu posso lembrar-me que foste verdade. Que estiveste ao meu lado nos meus bons momentos, e nos meus maus momentos. E eu também estive ao teu lado, nos teus bons momentos, e nos teus maus momentos.
Perguntaste-te, ainda, porque não apaguei nenhum dos teus comentários, das tuas publicações, ou sequer de ter algum contacto comigo? Porque quero acreditar que ainda aqui estás. E que aquelas memórias ainda vão acontecendo, num ou noutro dia.

Porque é que não te apaguei da minha caixa, do meu computador? Porque não te consigo apagar da minha vida, apesar de ter conseguido, forçosamente, imprisionar-te longe da vista, no meu coração.
Quero que saibas, melhor amiga, que o vais sempre ser. Porque independentemente dos motivos que nos levaram a separar-nos, eu lembro-me bem de todos os que nos levaram a acreditar na nossa improvável amizade. E quero também que saibas que continuo à espera que chegue o dia de ficar tudo bem, e que nos lembremos que o passado já foi. Mas não me deixas esquecer. Porque o meu passado é o teu presente e, bom, já falámos sobre isso.
Eu amo-te. Muito, a sério. Fizeste-me crescer, e acreditar. Sem ti, talvez nada daquela que é hoje a minha vida poderia ter sido possível. Fizeste-me rir sempre e, ó, há tanto tempo que já não me ria. Fizeste-me feliz! Eu era feliz!
Mas é tão triste saber que a pessoa que mais te ajudou foi a pessoa que mais caiu.
E eu tentei. Eu juro que tentei tudo.
Não mudou o que eu sinto; eu continuo a amar-te e vai sempre magoar-me ver-te do outro lado e não poder olhar para ti, mesmo que seja ao longe, e comentar uma expressão, um olhar, seja-o-que-for. Porque nós comentávamos tudo e depois era tão difícil não rir. Lembras-te? Não mudou nada do que sinto, prometo. Simplesmente derivaram outros sentimentos, e esses sentimentos não são bons. Mas eu prometo, Prometo.

Quero que saibas, meu amor, que não te culpo; mas não te desculpo.